sexta-feira, 14 de setembro de 2018

A Origem da Loucura: Batman, A Piada Mortal

É difícil definir bem o que queria fazer Alan Moore quando começou a escrever ''Batman: A Piada Mortal'', porém a pergunta que se fez ao começar a criar uma de suas principais obras ele tinha bem definida: ''Um dia ruim é o suficiente para transformar um homem bom em um monstro?''. Dissertar sobre essa grande história de pouco mais de 50 páginas é tão complicado quanto definir qual é a sua principal mensagem, pois a mesma é construída sobre múltiplas facetas.

O nome dessa HQ é até de certa forma mentiroso, pois com certeza não é uma história sobre o Batman, mas sim sobre o Coringa. O grande vilão do homem morcego que até aquele ano de 1988, não tinha uma abordagem condizente com o que hoje o personagem é representado. A pegada mais sádica, sombria, os gestos, a reformulação nas origens e ambições do antagonista mais louco do Batman ditaram o rumo das histórias dele nos anos 1980', formando a base para a concepção popular e geral do personagem. ''A Piada Mortal'' pode ser vista como uma história de origem, pois há procura pela diretriz de ''o que é ser coringa'' e do ''como se tornar coringa'', podemos com certeza dizer que essas perguntas são propostas justamente pelo próprio vilão. Usando o Comissário Gordon como foco central de sua metáfora, ele tenta provar a todos em gotham que ele não é diferente de qualquer outra pessoa. A Relação do vilão com o Batman também é explorada de maneira única, rumo para o lado da rivalidade dos dois perpassar a fronteira do ódio e beirando a admiração e a dependência um do outro. Até que ponto o Batman seria um herói do jeito que é sem o coringa? E o coringa, existiria sem o Batman? São uma das várias questões que acabaram indo além desta HQ maravilhosa

A ideia de Moore em provocar uma reflexão sobre o que é preciso para se tornar um psicopata em determinado momento dentro da história se dilui também em uma reflexão sobre o que é ser são, e em que parte de nossas vidas estamos suscetíveis a loucura. São muitos questionamentos e alguns até muito subjetivos para podermos colocar dentro de poucas frases todavia Moore consegue de maneira única juntar todas essas perguntas e esclarecer as respostas em 50 páginas. Ao final, assim como deixei bem claro no começo, não da para termos uma resposta sobre o que queria Moore ao criar esse clássico dos quadrinhos. Os quadros finais deixam claro que nem ele sabe responder a pergunta base da HQ.

E para você, um dia ruim é o suficiente para deixar um homem louco?

''Batman: A Piada Mortal'' foi escrita pelo Alan Moore com desenhos de Brian Bolland em 1988 quando foi publicada de primeira vez pela editora DC Comics.
NOTA:9,5
TEXTO: J.P Goulart

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

A Super Normal Ms. Marvel de Willow Wilson

As anormalidades de uma menina de 15 anos expostas e descritas de uma maneira absolutamente normal, assim é construída a base da nova Miss Marvel do universo marvel. A juventude atual detém algo único que a diferencia em detrimento a qualquer outro tipo de geração: A internet. O modo com que as pessoas se relacionam e como criam algo entre elas mudou bastante após a explosão mundial da internet e como em todos os momentos da história, o meio influenciou no modo como as pessoas lidam com suas vidas de maneira individual. Utilizando uma linguagem bem atual e descompromissadamente profunda, a autora G. Willow Wilson descreve com uma precisão fora do normal o que é ter 15 anos em 2018. As aflições, duvidas e angustias de se estar sempre conectado com o mundo mas ao mesmo tempo nunca estar conectado com ninguém.

O choque de gerações e a profunda questão de Kamala, a nova heroína queridinha da marvel, ser muçulmana são tratadas de maneira bem serena e ao mesmo tempo contundente. A escritora foi muito feliz nas escolhas de palavras, transformando assim a história num verdadeiro exemplo de humanidade e até um certo clássico do combate ao preconceito religioso. Kamala apesar de ter sua fé e religiosidade é acima de tudo uma adolescente normal, que no tempo em que vivemos é ser totalmente fora do normal.

(Toque duas vezes na imagem para focar)

A confusão que a vida de Kamala se faz é mais uma conexão com a fase de mudança em que vive, claramente uma questão comtemporanea. A admiração aos heróis da marvel por parte da protagonista da história, é algo muito notável e prazeroso, pois é bem possível se enxergar nos sonhos da personagem que antes da nuvem de terrígena era uma pessoa como eu ou você. Além de leve e divertida, a HQ é bem profunda e traz várias mensagem positivas, um clássico moderno.


(Toque duas vezes na imagem para focar)

NOTA: 8,9
TEXTO: J.P Goulart

sábado, 11 de agosto de 2018

Marvels: As Maravilhas do Mundo Real

A ideia de que um mundo cheio de hérois é um mundo mais seguro e próspero, com certeza passa longe da proposta de Kurt Busiek em ''Marvels''. No fundo, até as melhores intenções do mundo acabam sendo condenadas as consequências que são cabidas. Se uma rosa cai ao chão em uma tarde de outono, com certeza, a terra há de absorver seus nutrientes para poder suportar o inferno que os aguarda.


                     (Clique na imagem para focar)

E se você estivesse no centro de sua cidade e de repente olhasse para o céu e observasse o homem de ferro soltando seus raios de energia em seu grande inimigo mandarim? Ou então, de uma hora para a outra, uma invasão skrull explodindo metade da cidade? Creio que não seja um cenário da mais pura paz e tranquilidade realmente. É bonita a vida em mundo cheio de maravilhas ou as maravilhas emanam tanto brilho que deixam o resto do mundo obscuro? É sobre exatamente essa pergunta que ''Marvels'' se debruça. A história faz uma historiografia do universo Marvel, contando a vida de um repórter cinegrafista do Clarim Diário que ganhava a vida tirando fotos dos eventos e figuras extraordinárias do universo Marvel. Começando na primeira aparição do tocha humana (pré segunda guerra mundial), passando pelo nascimento do sonho americano encarnado (O Capitão America) e terminando nos dias atuais com heróis araquinideos indo de prédio em prédio. A HQ faz uma visão diferenciada sobre o impacto das atividades dos super-heróis na sociedade e na própria relação entre pessoas e universo. Seus preconceitos, suas aflições, seus sentimentos, suas essências que se materializam na idealização de seus heróis. Os heróis reais do cotidiano e os seus próprios atos de heroísmo dentro de si mesmos.

                    (Clique na Imagem Para Focar)

É uma verdadeira obra de arte. Tanto pelos desenhos absurdamente maravilhosos de Alex Ross, quanto pela ideia de se fazer uma historia absolutamente humana acima de tudo. Trata-se de um verdadeiro clássico dos quadrinhos pois o autor conseguiu juntar tudo que envolve as relações de idolatria e de tratamento ao próximo.


                   (Clique na Imagem Para Focar)

''Marvels'' foi originalmente publicada em 1994 pela Marvel Comics e traduzida para o português pela Panini Comics pela primeira vez em 2001, ganhando uma edição em capa dura no ano de 2017. Escrito pelo Kurt Busiek e desenhado pelo brilhante Alex Ross, é considerada um das melhores HQs da história dos quadrinhos.

NOTA: 9,0
TEXTO: J.P Goulart

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

A Saga do Monstro do Pântano e a Existencial Mente de Alan Moore

Esse texto se propõe a fazer uma análise sobre uma das maiores obras literárias em quadrinhos de todos os tempos, a ''Saga do Monstro do Pântano. Escrito por Alan Moore entre 1984 e 1987 que carrega fama de ser uma das melhores de todos os tempos. Irei comentar mais precisamente sobre o volume 1 intitulado: ''Raízes''. A obra se debruça sobre o viés da existência, o que seria a humanidade, o que a caracteriza e o seu limite. Alec Holland era um botânico que sofreu um acidente em seu laboratório no meio de um pântano na Louisiana, após uma explosão ele aparentemente morre, porém um elemental de musgos e plantas ganha vida e até então acreditava ser Alec. Porém ao longo do primeiro volume da aclamada história de Moore, o elemental descobre aos poucos que não é Alec, mas sim uma nova criatura que somente acreditava ser seu criador. 
(Clique na imagem para focar)
A composição da HQ é construída na pergunta que sempre acaba voltando em nossas vidas diariamente: ''Quem eu sou?''. Moore tenta aos poucos ir respondendo essas questões tentando mostrar o sentido da existência do Monstro, qual sua função no mundo, a sua identidade e sua ligação com o mundo a sua volta. No caso, o pântano e Abby Cable, sua amada. O relacionamento dos dois é trabalhado de uma maneira única, fazendo uma ligação entre existência e amor como se a partir da nossa identidade, fosse o possível fazer uma ponte entre uma outra identidade distinta, uma nova pessoa, uma nova visão das coisas. No caso do Monstro, essa outra identidade se fez presente em Abby. Desesperado, ele caminha por uma jornada dentro si próprio em uma verdadeira maratona em busca de uma auto afirmação, de uma identidade própria, de uma essência única.


       (Clique na imagem para focar)
O ponto de ignição para sua auto reflexão foi quando as perguntas começaram a pesar em sua consciência: ''como havia chegado no pântano?'', ''Por que o pântano?'' ''Como uma arvore pode pensar?'' as duvidas eram imensas, e as respostas curtas demais. As semelhanças com o mundo real se fazem presente o tempo inteiro nessa singular história de Alan Moore pois suas respostas são como o mundo: Estranhamente raso e respostas assustadoramente pequenas. No final das contas, Alec, devo dizer, o Monstro do Pantano, só queria viver sem se preocupar em existir. 


           (Clique na imagem para focar)
''A Saga do Monstro do Pantano: Volume 1'' foi escrito por Alan Moore e desenhado pelo Rick Veich. Publicado originalmente pela DC Comics em 1984 foi traduzido para o português recentemente sendo publicado em 2014 pela Panini Comics.


TEXTO: J.P Goulart