sábado, 11 de agosto de 2018

Marvels: As Maravilhas do Mundo Real

A ideia de que um mundo cheio de hérois é um mundo mais seguro e próspero, com certeza passa longe da proposta de Kurt Busiek em ''Marvels''. No fundo, até as melhores intenções do mundo acabam sendo condenadas as consequências que são cabidas. Se uma rosa cai ao chão em uma tarde de outono, com certeza, a terra há de absorver seus nutrientes para poder suportar o inferno que os aguarda.


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E se você estivesse no centro de sua cidade e de repente olhasse para o céu e observasse o homem de ferro soltando seus raios de energia em seu grande inimigo mandarim? Ou então, de uma hora para a outra, uma invasão skrull explodindo metade da cidade? Creio que não seja um cenário da mais pura paz e tranquilidade realmente. É bonita a vida em mundo cheio de maravilhas ou as maravilhas emanam tanto brilho que deixam o resto do mundo obscuro? É sobre exatamente essa pergunta que ''Marvels'' se debruça. A história faz uma historiografia do universo Marvel, contando a vida de um repórter cinegrafista do Clarim Diário que ganhava a vida tirando fotos dos eventos e figuras extraordinárias do universo Marvel. Começando na primeira aparição do tocha humana (pré segunda guerra mundial), passando pelo nascimento do sonho americano encarnado (O Capitão America) e terminando nos dias atuais com heróis araquinideos indo de prédio em prédio. A HQ faz uma visão diferenciada sobre o impacto das atividades dos super-heróis na sociedade e na própria relação entre pessoas e universo. Seus preconceitos, suas aflições, seus sentimentos, suas essências que se materializam na idealização de seus heróis. Os heróis reais do cotidiano e os seus próprios atos de heroísmo dentro de si mesmos.

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É uma verdadeira obra de arte. Tanto pelos desenhos absurdamente maravilhosos de Alex Ross, quanto pela ideia de se fazer uma historia absolutamente humana acima de tudo. Trata-se de um verdadeiro clássico dos quadrinhos pois o autor conseguiu juntar tudo que envolve as relações de idolatria e de tratamento ao próximo.


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''Marvels'' foi originalmente publicada em 1994 pela Marvel Comics e traduzida para o português pela Panini Comics pela primeira vez em 2001, ganhando uma edição em capa dura no ano de 2017. Escrito pelo Kurt Busiek e desenhado pelo brilhante Alex Ross, é considerada um das melhores HQs da história dos quadrinhos.

NOTA: 9,0
TEXTO: J.P Goulart

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

A Saga do Monstro do Pântano e a Existencial Mente de Alan Moore

Esse texto se propõe a fazer uma análise sobre uma das maiores obras literárias em quadrinhos de todos os tempos, a ''Saga do Monstro do Pântano. Escrito por Alan Moore entre 1984 e 1987 que carrega fama de ser uma das melhores de todos os tempos. Irei comentar mais precisamente sobre o volume 1 intitulado: ''Raízes''. A obra se debruça sobre o viés da existência, o que seria a humanidade, o que a caracteriza e o seu limite. Alec Holland era um botânico que sofreu um acidente em seu laboratório no meio de um pântano na Louisiana, após uma explosão ele aparentemente morre, porém um elemental de musgos e plantas ganha vida e até então acreditava ser Alec. Porém ao longo do primeiro volume da aclamada história de Moore, o elemental descobre aos poucos que não é Alec, mas sim uma nova criatura que somente acreditava ser seu criador. 
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A composição da HQ é construída na pergunta que sempre acaba voltando em nossas vidas diariamente: ''Quem eu sou?''. Moore tenta aos poucos ir respondendo essas questões tentando mostrar o sentido da existência do Monstro, qual sua função no mundo, a sua identidade e sua ligação com o mundo a sua volta. No caso, o pântano e Abby Cable, sua amada. O relacionamento dos dois é trabalhado de uma maneira única, fazendo uma ligação entre existência e amor como se a partir da nossa identidade, fosse o possível fazer uma ponte entre uma outra identidade distinta, uma nova pessoa, uma nova visão das coisas. No caso do Monstro, essa outra identidade se fez presente em Abby. Desesperado, ele caminha por uma jornada dentro si próprio em uma verdadeira maratona em busca de uma auto afirmação, de uma identidade própria, de uma essência única.


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O ponto de ignição para sua auto reflexão foi quando as perguntas começaram a pesar em sua consciência: ''como havia chegado no pântano?'', ''Por que o pântano?'' ''Como uma arvore pode pensar?'' as duvidas eram imensas, e as respostas curtas demais. As semelhanças com o mundo real se fazem presente o tempo inteiro nessa singular história de Alan Moore pois suas respostas são como o mundo: Estranhamente raso e respostas assustadoramente pequenas. No final das contas, Alec, devo dizer, o Monstro do Pantano, só queria viver sem se preocupar em existir. 


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''A Saga do Monstro do Pantano: Volume 1'' foi escrito por Alan Moore e desenhado pelo Rick Veich. Publicado originalmente pela DC Comics em 1984 foi traduzido para o português recentemente sendo publicado em 2014 pela Panini Comics.


TEXTO: J.P Goulart